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No Moleskine

ao cara que fechou o Moleskine quando sentei ao seu lado no ônibus

Pergunte-me,
vamos,
pergunte-me.
Pode ser qualquer coisa,
da vida,
dos vícios,
das manias,
dos gostos,
pode perguntar,
sem censuras.

Eu falo,
sem puderes,
não precisa nem mesmo
me pagar uma cerveja,
não há necessidade,
não precisa me dar vinho,
me embriagar,
não,
eu falo.

Caso entre no meu quarto
e me pegue nu,
apenas feche a porta,
pois minha nudez
não é vergonha:
meu corpo é meu corpo,
pele que me veste.

Mas não mexa no meu Moleskine!:
não folheie!,
não toque!,
não abra!,
não passe os olhos!,
não se atreva!

Poesia não pode ser lida
enquanto não estiver pronta,
pois é intimidade,
é individualidade,
é introspecção,
é reflexão.

Poesia só se lê
quando está pronta,
finalizada,
pontuada,
quando trás ao externo,
trabalhado cuidadosamente
todo o sentimento interno.

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