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A estrada

Enquanto meus cavalos
tiverem forças
de puxar esta charrete,
seguirei adiante
pela estrada do tempo.

De tempos em tempos,
surge a sensação
de que andei em círculos.
Pelo que já observei,
é a paisagem
que se repete,
pois esta via,
esta via não tem volta:
não passa no mesmo trecho
mais de uma vez.

A cada bifurcação,
uma decisão.
Sem volta.
E a todos que cruzam meu caminho,
estejam eles nas suas charretes,
estejam eles à borda
- pois já não andam mais
nestes carros de boi -
sinalizando os perigos a frente,
trato-lhes
com devido respeito.

O agora
é aproveitar a paisagem,
aproveitar a viagem
parando para ajudar,
na medida do possível,
aqueles que precisam.
Afinal,
não é simples superar
a desilusão de que
ao fim disso tudo
não exista nada
e essa estrada sirva
apenas
para tentar descobrir
o que há além do fim.

A todos que quiserem
parar para discutir,
imaginar, refletir,
o que há além do fim
desta linda estrada,
basta sorrir.
E, com um sorriso no rosto,
me perguntar,
como quem não quer nada,
“E aí? Indo pra onde?”

< O tempo é psicológico Transeuntes >

Este poema é parte do livro Introversos: versos da cabeça de um introvertido.

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