Shamata
Publicado em 08/12/2018 por Gustavo Dutra
Ao leste, a textura púmblea e tóxica das nuvens carregadas que pairam no além-mar não refletem a monotonia petrólea do movimento do oceano e distorcem a realidade plana e clara do peito aberto do céu esgueirado
A oeste, o amarelo árido da areia desértica das praias inóspitas marcam a pressão das pegadas de uma jornada caóticas e inesgotável sem destino
Ao centro, o farol violáceo da consciência ergue-se vertiginosamente em meio ao mar sob a lâmpada áurea da consciência da consciência
Iluminam-se as ondas provocadas pelo vento, que vão e voltam, mas nunca saem do lugar; a areia que desaparece assoprada pelo vento, mas nunca acaba; e as nuvens de vapor condensado que deslizam conduzidas pelo vento até desabarem em águas torrenciais que nunca fogem do mesmo oceano.
Deste farol isolado, tudo o que se ilumina é o movimento orquestrado pelo vento.
Engana-se o tolo ao achar que, num mundo de movimento e beleza, todo o vento é pensamento próprio.
É na sua ausência que se vê emergir, invisível e intangível, o verdadeiro eu.