Textos

Estreia do Íntimo: Minha Jornada pelo Haicai

Você costuma ler haicai? Então, vai se interessar por este livro.

O ano era 2020. O mundo silenciava lá fora com o lockdown e o distanciamento social. Entre fornadas de pão de fermentação natural e a incerteza do período, decidi ocupar meu tempo com a poesia — coisa que sentia não dar a atenção devida por causa do trabalho.

Foi nesse cenário que produzi minhas últimas obras, inclusive o que viria a ser o meu novo livro: estreia do íntimo.

A Libertação da Escrita Criativa

Como eu estava com mais tempo livre, optei por fazer algumas oficinas de escrita criativa. A oferta de cursos e oficinas subiu muito naquele período, tanto porque quem vivia de escrita precisava também continuar com um fluxo de caixa positivo, quanto porque os próprios professores também estavam mais disponíveis.

Essa decisão foi transformadora. Minha trajetória como poeta mudou drasticamente após dois cursos fundamentais. Primeiro, na oficina com a Angélica Freitas, vivi um processo libertador. Ela me deu a coragem necessária para encarar a minha própria forma de me expressar artisticamente.

Antes, eu era cercado por angústias e dúvidas: será que sou poeta ou estou apenas mimetizando o que os outros fazem?

Pela primeira vez, durante o período do curso, escrevi disposto a experimentar, sem as amarras de uma noção fixa do que a poesia “deveria” ser. O resultado não foi algo tangível. O resultado foi um ganho de liberdade criativa e uma segurança nas possibilidades que a poesia pode oferecer.

O Encontro com o Haicai

Logo depois, aventurei-me na oficina de haicais do Tarso de Melo. Confesso que, até então, o haicai me parecia algo estranho: fragmentado, descritivo demais, um suspense que eu não compreendia totalmente.

Porém, ao estudar sua história e forma, eu me apaixonei. O processo de “espremer” o sentimento em apenas três versos e poucas sílabas fez meus olhos brilharem. Embora no Brasil a métrica não seja mais uma obrigação, eu escolhi mantê-la. Burilar o escrito é o meu desafio pessoal para simplificar e manter apenas o essencial.

À partir dessa oficina, comecei a vivenciar a produção de haicais no dia-a-dia. Alguns destes haicais foram parar em coletâneas, como a Sul | Anil e Condensação, imagens e poética do hábito, ambos publicados pela casatrês.

O Haicai Erótico

Na tradição japonesa, o haicai costuma ser pautado pelos kigôs, que se refere ao fato de que o léxico utilizado nos versos se referem a alguma das estações do ano, podendo incluir o ano novo lunar como uma quinta opção.

Eu, por outro lado, decidi ir por um caminho diferente. Notei que a natureza descritiva, a falta de causalidade (ou seja, se isso então aquilo) e a ausência do “eu” nesse estilo poético criavam uma atmosfera perfeita para o erotismo.

O resultado dessa experimentação foi um conjunto de poemas que celebram o sensorial, o sinestésico e o tesão com sutileza e provocações. Tive o cuidado de não torná-lo falocêntrico e guiar o leitor em uma aventura pan-erótica.

Alguns haicais foram publicados ao longo dos anos na revista digital Fazia Poesia, e outros

A Escolha do Título ‘estreia do íntimo’

O livro quase se chamou “Fendas D’Oku” — um trocadilho com a obra de Matsuo Basho. No entanto, em conversa com meu editor na Editora Casatres, percebemos que o título era bruto demais para a delicadeza dos versos. Assim nasceu estreia do íntimo, título emprestado de um dos poemas da obra e que traduz perfeitamente a alma do projeto.

O livro conta ainda com um posfácio enriquecedor de Rafael Zacca, poeta e crítico de quem fui aluno em seus cursos ministrados pela escola da palavra. Ter o reconhecimento dele nesta edição traz uma camada extra de profundidade à leitura.

Aliás, durante a pandemia o Rafael e mais três amigos deram um curso sobre o antropoceno, que foi crucial para pensar o ao antropoceno brevíssimo aceno ou um pot-pourri pro povo rir.

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Escrever é uma jornada de paciência. Foram seis anos desde os primeiros versos e três desde a finalização. Agora, estreia do íntimo chega ao mundo pela coleção Haimi, ao lado de grandes nomes do haicai contemporâneo.

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Gustavo Dutra

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