Nesta sala de espera
aviso - com sentimentos de que é em vão
- ao meu cérebro
que espalhe a notícia:
só mais um pouco.
A ajuda médica já vem
- repito para mim.
Grave? Coisa boba?
A dúvida me corrói.
Dores eu aguento.
Sou forte.
Mas o medo me assusta.
O medo de ser grave.
O medo de não ser passageiro.
Medicamentos.
Sofrimentos.
Dores eu aguento.
Sou forte.
Não aguento a sensação
de estar com alguma doença
e não saber.
Não terminar o poema que comecei.
Medo do laudo dos exames.
Medo de que não tem mais volta.
De que poderia ter evitado.
Hábitos. Maus hábitos.
Dores eu aguento.
Sou forte.
Tenho medo de não saber
a hora certa de ir ao médico.
Quando foi só uma dorzinha?
Uma intoxicação?
Espero a febre?
Dores eu aguento.
Sou forte.
Mas não paro quieto
até saber qual doença
classifica-se nos sintomas.
Vai e volta.
Vem e fica.
Será o fardo do hipocondríaco
aprender a ignorar os sintomas,
que sente na pele e na carne,
a fim de aceitar
sua única e real doença?